Crie - Centro de Relacionamento da Inovação e do Empreendorismo

Compartilhe com seus amigos:

Novidades

12/08/2013

Os anjos das startups se multiplicam no Brasil

São Paulo – Quando ainda era um estudante de engenharia na escola politécnica da Universidade de São Paulo, em 1998, Romero Rodrigues e mais três amigos criaram um sistema de captura de palavras na internet. Ele viraria o Buscapé, site que faz comparação de preços gratuitamente.

Em 2009, o Buscapé foi vendido para o grupo sul-africano Naspers por 342 milhões de dólares. Romero, então com 32 anos, levou boa parte da bolada  e virou um símbolo de sucesso do empreendedorismo no Brasil. Sua trajetória talvez não tivesse sido a mesma se, no fim da década de 90, não tivesse encontrado o investidor Aníbal Messa pelo caminho.

“Romero prometeu me pagar uma pizza se desse uma força para fazer o plano de negócios dele, e eu acabei colocando alguns milhares de dólares como sócio”, diz Messa, que era consultor da McKinsey quando investiu no Buscapé. Mais do que um sócio na fase inicial, Messa foi um anjo.

É esse o termo usado para o investidor que põe dinheiro numa startup antes de ela nem sequer ter receita ou quando ainda fatura muito pouco. Esse valor costuma variar de 50 000 a 500 000 dólares. “Mas o que define o investimento-anjo não é apenas a quantia, e sim o fato de serem recursos próprios do investidor e de ele orientar e apoiar o empreendedor”, diz Cássio Spina, fundador da associação Anjos do Brasil, criada há dois anos.

Ele tem investimentos em seis startups. A mais bem-sucedida até agora é uma empresa que inventou um aplicativo para pais monitorarem os filhos por GPS e serem avisados quando entram e saem da escola. Spina colocou 600 000 reais nessa startup, a TWT Digital, há um ano e meio.

Hoje, estima que seu capital tenha se valorizado em quase 700%. O anjo também ajuda promovendo contatos com outros possíveis investidores e conhecedores do ramo, dando dicas sobre como melhorar o negócio e até emprestando espaço físico para oempreendedor trabalhar, como o próprio Messa fez com Romero em 1999.

“Quando você é um sócio, mesmo tendo uma parcela pequena, o nível de comprometimento ao dar conselhos é muito maior”, diz Rodrigues.

Agora que é considerado uma espécie de veterano da área de tecnologia, Rodrigues, além de se manter como presidente do Buscapé, também faz o papel de anjo. Há quatro anos, vem usando sua experiência no comércio online — e uma fração da fortuna pessoal — para ajudar startups.

Um exemplo: a Grubster, que dá descontos aos clientes de restaurantes que os visitem fora dos horários mais cheios. Messa, o anjo de Rodrigues, investe junto na Grubster. “Eu quero fomentar aqui uma lógica que é comum no cinema de Hollywood”, diz Rodrigues. “Quem passa pelo ciclo do negócio e alcança o sucesso como ator ou diretor, volta e investe em quem está começando a produzir filmes.”

Rodrigues já está em seu décimo investimento-anjo. Outro investidor tarimbado na tecnologia, Flávio Jansen, ex-sócio do site de compras Submarino, depois transformado em B2W com sua incorporação pela Lojas Americanas, tem cinco empresas protegidas — além de exercer a função de presidente da Locaweb, uma hospedeira de sites.

O site de roupas femininas Oqvestir, inaugurado por duas advogadas e uma jornalista em 2009, recebeu investimento-anjo de Jansen no ano seguinte, além de preciosos encontros semanais para aconselhar as empreendedoras. A entrada dele no negócio foi vital para que a Oqvestir ganhasse tamanho suficiente para atrair fundos de capital de risco como o americano Tiger, em 2011, e o argentino Kaszek, dos fundadores do Mercado Livre, em 2012.

Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1046/noticias/os-anjos-dos-negocios